D. Eliza sempre foi uma mulher forte e saudável, apesar de seus 81 anos. Os únicos poblemas dos quais se queixa, ultimamente, são a labirintite e o colesterol um pouco acima do normal, controlado com remédios. Quisera eu chegar à idade dela com essa vitalidade! Mas ela tem, também, um problemas de audição já faz alguns anos. Na verdade, acho que tudo começou quando meu pai ainda era vivo. Nos últimos anos de vida de seu Cenorino, a gente já precisava gritar para ele ouvir. E isso era meio estressante para minha mãe, já que além de gesticular e falar aos berros com meu pai, não existia uma conversa normal entre eles, por conta justamente dessa limitação. Depois de algum tempo convivendo com essa deficiência de seu Cenorino, ela acabou por ficar tão surda quanto ele.
Bom, o fato é que ela usa aparelho num dos ouvidos. Mas notamos que esse dispositivo, por vezes, mais atrapalha do que ajuda. Isso porque, segundo ela, dependendo do volume colocado no tal aparelho, ela diz ouvir só os barulhos do ambiente, e não consegue entender as palavras da pessoa falando diretamente com ela. Isto é, se ela está num ambiente com música, buzinas de carros, rádio, tevê alta, muita gente conversando ao mesmo tempo, o aparelho captura mais esses sons, prejudicando uma conversa bilateral. O que pode explicar o fato de ela não me escutar muito bem quando estamos em ambientes barulhentos.
Agora, D Eliza diz que além de não escutar muito bem o que a gente fala - o que não é grave na idade dela, mas atrapalha um pouco as relações sociais - ela está ouvindo uma música ao fundo, e...dentro da cabeça! Pior, a música, diz ela, é alemã, talvez austríaca (terra do pai dela). "Às vezes, é uma valsa de Strauss, bem ao longe, noutras é uma música de minha infância". E começa a cantar, em alemão, a canção folclórica austríaca da hora. E, tem mais, ela não curte essa música. Em outros tempos, me disse, era aquela "Fascinação" (a mesma cantada pela Elis Regina). O repertório é variado. Diz que essas músicas surgem quando está sem aparelho ou quando está tudo no mais absoluto silêncio.
Bem, vou ter de tomar uma providência, levando D Eliza ao médico para avaliar esse tipo de "ruído"na cabeça.
Só espero que essas músicas continuem como estão, folclóricas alemãs, valsas austríacas ou canções suaves, sem descambar para o sertanejo ou rap, aí sim, a situação de D Eliza ficaria preocupante.
sábado, 18 de agosto de 2007
terça-feira, 14 de agosto de 2007
Médicos inconvenientes
Em Porto Alegre, às voltas com exames, consultas a médicos, novos exames faltantes, apalpa daqui apalpa dali, perguntas, sorrisos, algumas rugas na testa, a espera de novos resultados. Nada disso é mais doloroso do que ir ao ginecologista. Nem mesmo a mamografia, em que a mama é ensanduichada entre duas plataformas geladas - de frente, de lado, do outro lado - e apertadas com toda a força da máquina de alta resolução, é tão cruel do que consultas com ginecologistas. Pelo menos para mim. E de uns anos para cá, tem sido pior.
Explico, além da posição constrangedora que nos impõe a situação (como se fosse uma galinha, de pernas abertas e pra cima, já pronta para ir pro forno), vem aquele ferro medieval, fuça daqui, fuça dali, e, por fim, as malditas perguntas. Justo naquele momento em que não tenho forças nem para gemer de dor, vêm as tais perguntas, mais constrangedoras do que a posição ridícula em que me encontro e que podem doer mais do que o exame em si.
E a vida sexual? Indaga a médica, pouco conhecida minha, e, portanto, com quem não tenho a menor intimidade.
Como?? respondo baixinho e sem forças.
Então, como anda o sexo? Insiste ela, com a maior calma do mundo, fuçando, fuçando...
Ah! Hmmm! (interjeições que exprimem a dor e a completa falta do que dizer naquele momento.
Bom, eu ando fechada para balanço, por uns tempos (dizer o que?? tenho de ser sincera... e otimista).
Você precisa ter atividade sexual, você é jovem, bonita ainda (gostei dessa parte!) e fazer sexo faz muito bem - diz ela, naturalmente, como se eu fosse uma freirinha jovem, a caminho do convento e dezenas de homens, entre eles o Fábio Assunção, o Gianechinni e o Rodrigo Veroneze estivessem correndo atrás de mim dizendo "não vai, não vai, fica comigo!".
p.s. A propósito de homens bonitos. Fui ver Primo Basílio, e fiquei pensando no sacrifício que deve ter sido para Débora Falabella fazer o filme com o Gianecchini e o Fábio Assunção, um como marido e o outro como amante. UAU!!
Explico, além da posição constrangedora que nos impõe a situação (como se fosse uma galinha, de pernas abertas e pra cima, já pronta para ir pro forno), vem aquele ferro medieval, fuça daqui, fuça dali, e, por fim, as malditas perguntas. Justo naquele momento em que não tenho forças nem para gemer de dor, vêm as tais perguntas, mais constrangedoras do que a posição ridícula em que me encontro e que podem doer mais do que o exame em si.
E a vida sexual? Indaga a médica, pouco conhecida minha, e, portanto, com quem não tenho a menor intimidade.
Como?? respondo baixinho e sem forças.
Então, como anda o sexo? Insiste ela, com a maior calma do mundo, fuçando, fuçando...
Ah! Hmmm! (interjeições que exprimem a dor e a completa falta do que dizer naquele momento.
Bom, eu ando fechada para balanço, por uns tempos (dizer o que?? tenho de ser sincera... e otimista).
Você precisa ter atividade sexual, você é jovem, bonita ainda (gostei dessa parte!) e fazer sexo faz muito bem - diz ela, naturalmente, como se eu fosse uma freirinha jovem, a caminho do convento e dezenas de homens, entre eles o Fábio Assunção, o Gianechinni e o Rodrigo Veroneze estivessem correndo atrás de mim dizendo "não vai, não vai, fica comigo!".
p.s. A propósito de homens bonitos. Fui ver Primo Basílio, e fiquei pensando no sacrifício que deve ter sido para Débora Falabella fazer o filme com o Gianecchini e o Fábio Assunção, um como marido e o outro como amante. UAU!!
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Sr e Sra Smith e a globalização
Leio que as bolsas estão caindo no mundo inteiro, os bancos centrais da Europa, Estados Unidos e Brasil começam a manifestar uma certa preocupação com o que está por vir, e injetam recursos na economia, ao ponto de o Banco Central Europeu ter feito um aporte de US$ 130 bilhões nos bancos europeus, na quinta passada, e o FED (Banco Central dos EUA) ter ampliado suas reservas para o sistema bancário americano, nesta sexta, em mais US$ 35 bilhões, para evitar uma crise de liquidez no sistema de crédito de risco daquele país.
Mas, por que estou falando de um assunto tão árido num espaço como este? E por que estou preocupada com o rumo da economia mundial e com a queda das bolsas se eu não tenho um centavo aplicado em ações? Primeiro, porque vivemos num mundo globalizado, e se chove lá em cima respinga por aqui, no andar de baixo. Segundo, porque acho que o cerne dessa crise mundial - ainda controlável, se Deus quiser - aparenta ser bem prosaico, pelo menos na minha pobre e limitada avaliação e como observadora dos fatos.
Pelo que entendi, os norte-americanos, um povo patologicamente consumidor e sem nenhum controle de seus gastos, acostumado a comprar suas belas casas de dois andares, com aquele monte de janelas, com garagens para dois ou três carros e em subúrbios que mais parecem cenários de filmes hollywoodianos, estão, agora, sem condições de honrar seus compromissos com o crédito imobiliário dos bancos. E teriam passado a hipotecar suas casas para quitar outros débitos com cartões de crédito. Dívidas contraídas, quem sabe, com a Macys e com a Century 21, com os postos de gasolina onde enchem o tanque de seus carrões, e com as caras universidades de seus filhos. E isso tudo estaria gerando uma insolvência no mercado imobiliário - um dos grandes pilares da economia americana, aliás - e afetando os bancos, as bolsas, e toda a economia mundial.
Ou seja, a falta de planejamento do sr Smith e de sua esposa Carrie, que não conseguem saldar seus débitos com o banco do subúrbio de Utah ou do Arkansas, terá um efeito dominó no mundo. O dólar sobe, os juros se elevam e as bolsas caem. É sempre a mesma coisa. O Pedro, operário de uma fábrica de calçados em Novo Hamburgo, no interior do Rio Grande do Sul, o Monsieur Gaulin, que tem uma pequena vinícola na cidadezinha de Chalons sûr Saône, no sul da França, e Hu Ling, um jovem estudante que trabalha numa loja de CDs (piratas?) de Xangai, deverão ser intimamente afetados pela inadimplência do sr e sra. Smith. Seja pelos juros mais altos quando forem comprar uma camisa, ou com uma alta nos preços da comida (no quilo da esquina ou no supermercado), ou quando forem fazer um crédiário para comprar uma tevê. São os efeitos da globalização. E não me venham dizer que isso é queixa de classe média, porque desse discurso eu também já cansei.
Mas, por que estou falando de um assunto tão árido num espaço como este? E por que estou preocupada com o rumo da economia mundial e com a queda das bolsas se eu não tenho um centavo aplicado em ações? Primeiro, porque vivemos num mundo globalizado, e se chove lá em cima respinga por aqui, no andar de baixo. Segundo, porque acho que o cerne dessa crise mundial - ainda controlável, se Deus quiser - aparenta ser bem prosaico, pelo menos na minha pobre e limitada avaliação e como observadora dos fatos.
Pelo que entendi, os norte-americanos, um povo patologicamente consumidor e sem nenhum controle de seus gastos, acostumado a comprar suas belas casas de dois andares, com aquele monte de janelas, com garagens para dois ou três carros e em subúrbios que mais parecem cenários de filmes hollywoodianos, estão, agora, sem condições de honrar seus compromissos com o crédito imobiliário dos bancos. E teriam passado a hipotecar suas casas para quitar outros débitos com cartões de crédito. Dívidas contraídas, quem sabe, com a Macys e com a Century 21, com os postos de gasolina onde enchem o tanque de seus carrões, e com as caras universidades de seus filhos. E isso tudo estaria gerando uma insolvência no mercado imobiliário - um dos grandes pilares da economia americana, aliás - e afetando os bancos, as bolsas, e toda a economia mundial.
Ou seja, a falta de planejamento do sr Smith e de sua esposa Carrie, que não conseguem saldar seus débitos com o banco do subúrbio de Utah ou do Arkansas, terá um efeito dominó no mundo. O dólar sobe, os juros se elevam e as bolsas caem. É sempre a mesma coisa. O Pedro, operário de uma fábrica de calçados em Novo Hamburgo, no interior do Rio Grande do Sul, o Monsieur Gaulin, que tem uma pequena vinícola na cidadezinha de Chalons sûr Saône, no sul da França, e Hu Ling, um jovem estudante que trabalha numa loja de CDs (piratas?) de Xangai, deverão ser intimamente afetados pela inadimplência do sr e sra. Smith. Seja pelos juros mais altos quando forem comprar uma camisa, ou com uma alta nos preços da comida (no quilo da esquina ou no supermercado), ou quando forem fazer um crédiário para comprar uma tevê. São os efeitos da globalização. E não me venham dizer que isso é queixa de classe média, porque desse discurso eu também já cansei.
sábado, 4 de agosto de 2007
O tempo enlouqueceu...segundo D Eliza
Alguém já reparou que o clima é sempre o tema escolhido para iniciarmos uma conversa desprentensiosa com alguém, especialmente se for com algum estranho ou com uma pessoa com quem não temos intimidade? Comigo, pelo menos, é assim. Num restaurante a quilo, quando sento à mesa ao lado de quem não conheço e fico comichando para entabular uma conversa, é sobre o tempo que falo. Quando estou numa fila de cinema, ou vou pagar a conta no caixa do supermercado (e ele já me conhece), ou quando encontro alguém conhecido no shopping, é sobre o clima que comento: "Que friozinho tem feito, né? Ninguém merece tanto". Minha mãe, d. Eliza, com quem falo duas a três vezes por semana, por telefone, mora em Porto Alegre, cidade onde o inverno tem sido muito rigoroso. Por vezes, o tempo também motiva nossa conversa. "Oi, tudo bem, como está o tempo por aí?"Damos o boletim meteorológico de nossas respectivas cidades e eu comento que enquanto estamos sofrendo com o frio aqui, no hemisfério sul, dezenas de pessoas estão morrendo de calor na Europa, com temperaturas pouco acima de 40 graus, especialmente na Hungria, Romênia e Itália.
D. Eliza escuta com atenção o que eu digo, pensa e dá o seu veredito: "Pois eu acho que o tempo enlouqueceu por causa dos homens." Concordo com ela. Mas deixo ela desenvolver um pouco mais seu pensamento porque sei que vem coisa por aí.
"Se não fossem esses caras, esses astronautas, sempre dentro de um foguete, no espaço, mexendo na lua, nesses planetas todos e voando por aí, nada disso estaria acontecendo. Não é possível que essa movimentação toda lá em cima não provoque toda essa confusão aqui embaixo, com frio e chuva no sul e seca no nordeste".
Essa é a teoria de D. Eliza sobre o clima, que não conhece nada de fenômenos como La Niña ou El Niño, nem de aquecimento global, nem de emissão de gases que formam o efeito estufa. Para ela, as coisas são bem mais simples. A culpa é dos astronautas.
D. Eliza escuta com atenção o que eu digo, pensa e dá o seu veredito: "Pois eu acho que o tempo enlouqueceu por causa dos homens." Concordo com ela. Mas deixo ela desenvolver um pouco mais seu pensamento porque sei que vem coisa por aí.
"Se não fossem esses caras, esses astronautas, sempre dentro de um foguete, no espaço, mexendo na lua, nesses planetas todos e voando por aí, nada disso estaria acontecendo. Não é possível que essa movimentação toda lá em cima não provoque toda essa confusão aqui embaixo, com frio e chuva no sul e seca no nordeste".
Essa é a teoria de D. Eliza sobre o clima, que não conhece nada de fenômenos como La Niña ou El Niño, nem de aquecimento global, nem de emissão de gases que formam o efeito estufa. Para ela, as coisas são bem mais simples. A culpa é dos astronautas.
segunda-feira, 30 de julho de 2007
Aquecimento aonde?
Tem feito tanto, mas tanto frio aqui no sul, que a cada blusa de lã que coloco sobre outra que já está sobreposta noutra camiseta, a cada meia que calço sobre outra e a cada teclada que dou no computador com luvinhas sem dedinhos - congelados - me pergunto: onde está o aquecimento global, o efeito estufa, e os invernos amenos que tivemos nos últimos três anos aqui em Florianópolis? Nem falo do Rio Grande do Sul, porque lá o inverno está de congelar pingüins. As frentes frias não dão trégua no sul do País. Vem uma atrás da outra, de enfiada, sem permitir que a gente se recomponha, evitando de usar esses agasalhos um pouco exagerados e que nos deixam meio ridículos - especialmente dentro de casa.
É o inverno mais rigoroso dos últimos 12 anos, dizem os meteorologistas. Nossas casas, no Brasil, não têm aquecimento central, nem pisos, paredes ou janelas preparadas para esse frio ao estilo hemisfério norte. Tudo é gelado.
Mas, pelo menos podemos dispor de aquecedores, roupas quentes, cobertores, ar condicionado. Fico lembrando das pessoas que não têm nada disso e como elas estão sobrevivendo a esse clima (se é que estão). E os animais sem dono? Durante algumas madrugadas ouvi, ao longe, o lamento persistente de um gato, não sei se era por causa do frio ou se ele tinha outra queixa (dá uma angústia ouvir esse choro e, mais ainda, não saber como ajudá-lo pois ele não ficava visível a partir de minha janela). Nas últimas duas noites, porém, o choro cessou. Como foram madrugadas com 4 a 6 graus de temperatura, me pergunto se o bichano morreu de frio ou arrumou um cantinho mais quente para ficar. Prefiro achar que gatos têm sete vidas e sabem se virar bem. Ao contrário de nós, humanos, tão fracos, tão dependentes, tão queixosos, e que a qualquer friozinho já reclamam de tudo e acham que vão morrer congelados, mesmo cheio de roupas por cima e por baixo.
É o inverno mais rigoroso dos últimos 12 anos, dizem os meteorologistas. Nossas casas, no Brasil, não têm aquecimento central, nem pisos, paredes ou janelas preparadas para esse frio ao estilo hemisfério norte. Tudo é gelado.
Mas, pelo menos podemos dispor de aquecedores, roupas quentes, cobertores, ar condicionado. Fico lembrando das pessoas que não têm nada disso e como elas estão sobrevivendo a esse clima (se é que estão). E os animais sem dono? Durante algumas madrugadas ouvi, ao longe, o lamento persistente de um gato, não sei se era por causa do frio ou se ele tinha outra queixa (dá uma angústia ouvir esse choro e, mais ainda, não saber como ajudá-lo pois ele não ficava visível a partir de minha janela). Nas últimas duas noites, porém, o choro cessou. Como foram madrugadas com 4 a 6 graus de temperatura, me pergunto se o bichano morreu de frio ou arrumou um cantinho mais quente para ficar. Prefiro achar que gatos têm sete vidas e sabem se virar bem. Ao contrário de nós, humanos, tão fracos, tão dependentes, tão queixosos, e que a qualquer friozinho já reclamam de tudo e acham que vão morrer congelados, mesmo cheio de roupas por cima e por baixo.
quinta-feira, 26 de julho de 2007
O país das chuteiras (femininas)
Marta, Cristiane, Cylene, Daniela, Andréia, Aline, Pretinha... alguém já ouviu falar dessas meninas antes de começar o Pan? Talvez. São as meninas da nossa seleção de futebol feminino e que fizeram a melhor campanha coletiva nesse Pan, pois ganharam todas as partidas - fizeram 33 gols, não levaram nenhum, com uma média espetacular de mais de 5 gols por partida (fizeram 11 na Jamaica e 10 no Equador).
Hoje, essas meninas valentes, aguerridas, desafiadoras e talentosas ganharam a medalha de ouro contra a seleção norte-americana, considerada a melhor do mundo, campeã mundial e olímpica, blá-blá. Tá certo que parece que os Estados Unidos mandaram o time B, mas mesmo o time B deles impõe respeito. Aliás, nunca entendi isso de os EUA sempre mandarem os times Bs para os jogos pan-americanos, talvez seja porque nos considerem atletas de segunda categoria e não mereçamos ter o privilégio de enfrentar o seu time A. Mas mesmo que viesse o time A, tenho certeza de que ele se intimidaria com essas brasileirinhas lutadoras, oriundas de famílias pobres do nordeste e do interior deste País, que enfrentaram preconceitos de toda a sorte para chegar aonde chegaram. E, ainda hoje, com todo esse potencial, esse talento e essa garra, jogando como jogam, não contam com patrocínios, nem apoios de empresas ou dos governos, a maioria delas nem tem onde trabalhar aqui dentro porque não há interesse em estimular o futebol feminino neste País, onde predominam as chuteiras masculinas. Uma das exceções é a nordestina Marta, eleita a melhor jogadora do mundo no ano passado, pela Fifa, e com uma carreira sólida na Suécia. Katia Cilene lembrou que precisou se vestir de menino para poder treinar e enfrentar o preconceito na sua cidade, já que futebol é para homens e não para mulheres.
Pois bem, essas meninas deram, hoje, uma lição em todos nós. Mostraram, jogando, pois é isso que elas fazem melhor, que devemos prestar mais atenção nos outros esportes em que somos muito bons. Elas nos lembraram que o Brasil não é feito apenas de bola nos pés de machos. Há outros esportes - futebol feminino, basquete, atletismo, karatê, TaeKwon-Do, ping-pong, badminton, etc. - que esperam por nossa atenção, nosso apoio, nosso reconhecimento, nosso patrocínio.
Foi emocionante ver o Maracanã com 70 mil pessoas gritando por Marta, Cristiane, Pretinha, Daniela, nomes que não estamos acostumados a falar nem a ouvir, porque estivemos meio cegos e surdos para outros atletas que não fossem Ronaldinhos, Kakás, Adrianos e Robinhos. E porque torcemos por chuteiras masculinas - que nem sempre nos merecem.
Infelizmente, por aqui, poucas chances têm os outros atletas de crescerem, serem patrocinados e se profissionalizarem, como acontece nos Estados Unidos, Rússia, Cuba, Canadá, Inglaterra, Hungria, Suécia, só para citar alguns países onde a atividade esportiva é levada a sério desde a escola primária. Assistimos há anos os EUA e Cuba liderarem as competições mundiais. E isso cansa.
Por isso, o mérito dessas meninas da seleção feminina do futebol foi retumbante. Não só por terem ganho a medalha de ouro contra o melhor time do mundo (?), contra a poderosa seleção dos Estados Unidos, mas por terem chegado aonde chegaram, sem levar nenhum gol, fazendo inúmeros contra as outras e sem queixas, sem lamúrias, sem frescura. O único choro visto naqueles rostos foi a expressão da alegria e da emoção. Será que alguém do governo, da mídia e das comissões técnicas prestou atenção no recado dado por elas?
Hoje, essas meninas valentes, aguerridas, desafiadoras e talentosas ganharam a medalha de ouro contra a seleção norte-americana, considerada a melhor do mundo, campeã mundial e olímpica, blá-blá. Tá certo que parece que os Estados Unidos mandaram o time B, mas mesmo o time B deles impõe respeito. Aliás, nunca entendi isso de os EUA sempre mandarem os times Bs para os jogos pan-americanos, talvez seja porque nos considerem atletas de segunda categoria e não mereçamos ter o privilégio de enfrentar o seu time A. Mas mesmo que viesse o time A, tenho certeza de que ele se intimidaria com essas brasileirinhas lutadoras, oriundas de famílias pobres do nordeste e do interior deste País, que enfrentaram preconceitos de toda a sorte para chegar aonde chegaram. E, ainda hoje, com todo esse potencial, esse talento e essa garra, jogando como jogam, não contam com patrocínios, nem apoios de empresas ou dos governos, a maioria delas nem tem onde trabalhar aqui dentro porque não há interesse em estimular o futebol feminino neste País, onde predominam as chuteiras masculinas. Uma das exceções é a nordestina Marta, eleita a melhor jogadora do mundo no ano passado, pela Fifa, e com uma carreira sólida na Suécia. Katia Cilene lembrou que precisou se vestir de menino para poder treinar e enfrentar o preconceito na sua cidade, já que futebol é para homens e não para mulheres.
Pois bem, essas meninas deram, hoje, uma lição em todos nós. Mostraram, jogando, pois é isso que elas fazem melhor, que devemos prestar mais atenção nos outros esportes em que somos muito bons. Elas nos lembraram que o Brasil não é feito apenas de bola nos pés de machos. Há outros esportes - futebol feminino, basquete, atletismo, karatê, TaeKwon-Do, ping-pong, badminton, etc. - que esperam por nossa atenção, nosso apoio, nosso reconhecimento, nosso patrocínio.
Foi emocionante ver o Maracanã com 70 mil pessoas gritando por Marta, Cristiane, Pretinha, Daniela, nomes que não estamos acostumados a falar nem a ouvir, porque estivemos meio cegos e surdos para outros atletas que não fossem Ronaldinhos, Kakás, Adrianos e Robinhos. E porque torcemos por chuteiras masculinas - que nem sempre nos merecem.
Infelizmente, por aqui, poucas chances têm os outros atletas de crescerem, serem patrocinados e se profissionalizarem, como acontece nos Estados Unidos, Rússia, Cuba, Canadá, Inglaterra, Hungria, Suécia, só para citar alguns países onde a atividade esportiva é levada a sério desde a escola primária. Assistimos há anos os EUA e Cuba liderarem as competições mundiais. E isso cansa.
Por isso, o mérito dessas meninas da seleção feminina do futebol foi retumbante. Não só por terem ganho a medalha de ouro contra o melhor time do mundo (?), contra a poderosa seleção dos Estados Unidos, mas por terem chegado aonde chegaram, sem levar nenhum gol, fazendo inúmeros contra as outras e sem queixas, sem lamúrias, sem frescura. O único choro visto naqueles rostos foi a expressão da alegria e da emoção. Será que alguém do governo, da mídia e das comissões técnicas prestou atenção no recado dado por elas?
quarta-feira, 25 de julho de 2007
Surtei
Me bateu um surto de egoísmo.
Não agüento mais: ler sobre "mais um dia de caos nos aeroportos";
problemas em aviões descendo, subindo ou no ar;
ver gente chorando ou reclamando nos aeroportos de que não conseguiu embarcar;
pessoas brigando com os funcionários das companhias;
esses mesmos funcionários com cara de patetas ouvindo os gritos e sem nada a dizer para essas pessoas histéricas;
o jogo de empurra e a incompetência do governo para tratar a crise;
a ganância das companhias aéreas;
os parentes das vítimas que não conseguem enterrar seus familiares sem a identificação do IML; e as palavras Congonhas, Cumbica, Cindacta; Anac; grooving; aquaplanagem; reversor; frenagem; vôos cancelados...
Não agüento mais: ler sobre "mais um dia de caos nos aeroportos";
problemas em aviões descendo, subindo ou no ar;
ver gente chorando ou reclamando nos aeroportos de que não conseguiu embarcar;
pessoas brigando com os funcionários das companhias;
esses mesmos funcionários com cara de patetas ouvindo os gritos e sem nada a dizer para essas pessoas histéricas;
o jogo de empurra e a incompetência do governo para tratar a crise;
a ganância das companhias aéreas;
os parentes das vítimas que não conseguem enterrar seus familiares sem a identificação do IML; e as palavras Congonhas, Cumbica, Cindacta; Anac; grooving; aquaplanagem; reversor; frenagem; vôos cancelados...
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