sábado, 15 de agosto de 2009
Sem fumaça
Uma amiga - feliz com a nova lei antifumo em São Paulo - decidiu que agora poderia voltar a sair à noite, frequentar casas noturnas, bares e festas em lugares fechados (e públicos), sem sair de lá como um toucinho defumado. A primeira experiênciade de sua renovada vida noturna, e sem fumaça, aconteceu na semana passada, quando foi a um barzinho com outros amigos fumantes na Vila Madalena. De repente, notou que o lugar começou a esvaziar, e que até seus amigos começaram a sair de mansinho para dar umas baforadas lá fora, longe dos toldos ou das faixas amarelas proibitivas. Quando se deu conta, essa amiga estava sozinha na mesa e com uns poucos gatos pingados dentro do bar. Bebia, solitariamente, um chopp, já sem espuma. Por uns 20 minutos ficou ali, sentada, quieta, sem ninguém para conversar. Sequer tinha levado um jornal, um livro, uma revista para aguentar aquela espera. Mas quem leva isso para um bar? Só se for em Paris, mas era a Vila Madalena. Minha amiga percebeu que o burburinho, a festa, as pessoas e os papos interessantes estavam lá fora. E que a lei que proibiu o cigarro nos lugares fechados tornou esses ambientes menos alegres, barulhentos e sem fumaça. Pelo menos do lado de dentro.
domingo, 9 de agosto de 2009
Agosto em Roma
Quem viaja pela Europa no verão já sabe que em agosto algumas cidades ficam um pouco às moscas por causa das férias. Alguns restaurantes e serviços (sapateiros, lavanderias) deixam de funcionar por semanas, lojas de bairros fecham e até feirantes não abrem suas bancas de frutas, verduras e peixes. As pessoas aproveitam o calor para viajar para o interior ou para a praia. Em agosto, no dia 15, os italianos também festejam um feriado bem famoso entre eles, o Ferragosto que celebra a Assunção da Virgem Maria, mas que na época do Império Romano era comemorardo durante todo o mês em honra ao primeiro imperador Augusto e à deusa mitológica Diana.
Se em agosto as cidades italianas já ficam meio vazias, imaginem num dia santo bem no meio do mês (dia 15). Aí mesmo que pouca coisa acontece, mesmo em Roma. E é nesse modorrento e cálido feriado prolongado que a rotina de um sujeito de meia-idade, solteiro, endividado, vivendo com a mãe idosa - mas ainda bem esperta - muda completamente no filme Almoço em Agosto. A direção é de Gianni de Gregório, o protagonista do mesmo nome. Ele é também um dos roteiristas do premiado Gomorra, sobre a máfia napolitana.
Almoço é uma delicada homenagem à velhice, que nos faz rir (no meu caso, muito) e refletir sobre a condição dos idosos, mas sem recorrer à pieguice ou à tristeza. Ele nos mostra o quanto nós, filhos, podemos ser infantis e até idiotas com o excesso de zêlo dedicado aos nossos pais (no caso, as mães viúvas) e, com isso, tornar a vida deles um inferno em meio a tantas regras, remédios e limites, ceifando seus desejos mais simples e a sua alegria de viver. Atire a primeira pedra quem não teve um momento de Gianni na vida.
O ponto alto do filme é a coleção de quatro velhinhas que Gianni chamou para contracenar, nenhuma delas com qualquer experiência na arte de atuar, mas sinceras e verdadeiras no seu papel de mães e tias de qualquer família, seja ela italiana, brasileira, romena, cristã ou judia.
Gianni deve ter se divertido muito ao lado daquelas senhoras com quem passou o feriado dentro do apartamento: uma delas faz a sua vaidosa e claudicante mãe, a outra é a ótima cozinheira de pastas; também vem para ficar a mãe de médico que a obriga a comer só verduras e a se entupir de remédios, quando ela gostaria mesmo era comer um bom salame, e, para completar o quarteto das vovós, a fogosa e inquieta Grazia, mãe do síndico do prédio, que só precisa dar uma escapadinha para ser feliz. O solteirão Gianni vira babá das quatro naquele quente feriado italiano. E elas não lhe dão sossego, porque são saudáveis, têm inquietações e desejo de viver.
A vida de Gianni certamente muda depois dessa lufada de vento que entra pela janela de sua varanda romana.
Se em agosto as cidades italianas já ficam meio vazias, imaginem num dia santo bem no meio do mês (dia 15). Aí mesmo que pouca coisa acontece, mesmo em Roma. E é nesse modorrento e cálido feriado prolongado que a rotina de um sujeito de meia-idade, solteiro, endividado, vivendo com a mãe idosa - mas ainda bem esperta - muda completamente no filme Almoço em Agosto. A direção é de Gianni de Gregório, o protagonista do mesmo nome. Ele é também um dos roteiristas do premiado Gomorra, sobre a máfia napolitana.
Almoço é uma delicada homenagem à velhice, que nos faz rir (no meu caso, muito) e refletir sobre a condição dos idosos, mas sem recorrer à pieguice ou à tristeza. Ele nos mostra o quanto nós, filhos, podemos ser infantis e até idiotas com o excesso de zêlo dedicado aos nossos pais (no caso, as mães viúvas) e, com isso, tornar a vida deles um inferno em meio a tantas regras, remédios e limites, ceifando seus desejos mais simples e a sua alegria de viver. Atire a primeira pedra quem não teve um momento de Gianni na vida.
O ponto alto do filme é a coleção de quatro velhinhas que Gianni chamou para contracenar, nenhuma delas com qualquer experiência na arte de atuar, mas sinceras e verdadeiras no seu papel de mães e tias de qualquer família, seja ela italiana, brasileira, romena, cristã ou judia.
Gianni deve ter se divertido muito ao lado daquelas senhoras com quem passou o feriado dentro do apartamento: uma delas faz a sua vaidosa e claudicante mãe, a outra é a ótima cozinheira de pastas; também vem para ficar a mãe de médico que a obriga a comer só verduras e a se entupir de remédios, quando ela gostaria mesmo era comer um bom salame, e, para completar o quarteto das vovós, a fogosa e inquieta Grazia, mãe do síndico do prédio, que só precisa dar uma escapadinha para ser feliz. O solteirão Gianni vira babá das quatro naquele quente feriado italiano. E elas não lhe dão sossego, porque são saudáveis, têm inquietações e desejo de viver.
A vida de Gianni certamente muda depois dessa lufada de vento que entra pela janela de sua varanda romana.
domingo, 26 de julho de 2009
Xô chuva e frio
Nesses dias sombrios, frios e chuvosos em São Paulo, me dou conta do quanto sou uma pessoa solar. Não, não é um auto-elogio, eu não sou uma pessoa alegre 100% do tempo (talvez nem 50%), ou daquele tipo de gente que se diz feliz das 8h da manhã até a hora de deitar, e está sempre sorrindo sem saber a razão. Digo solar no sentido mais prosaico mesmo, pela necessidade atávica de ter aquele calorzinho do sol acariciando minha pele, de olhar o céu azul (quando ele está limpo e claro por aqui) e agradecer por estar viva nesse momento. É só disso que preciso para me sentir melhor.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Até breve Istambul






Saudades de Istambul, de seus aromas, sabores, cores e ruídos. De sua tradição e modernidade. De seus dois mares, o Negro e o Mármara; do lado ocidental e europeu sendo levado para a outra margem oriental por barcos e pontes. Do estreito de Bósforo e do Chifre de Ouro; Cidade de Bizâncio e Constantinopla; de capital do Império Romano ao Otomano. Das suas mesquitas, igrejas, templos e sinagogas. Dos palácios do sultanato aos hamamis (banhos turcos); dos tapetes coloridos aos Bysmillas (símbolo de proteção e sorte); dos kebabs de carneiro aos doces Baklava de pistache e amêndoas; do forte café turco ao chá de romã; da alegria dos homens de narguilé às lindas e tímidas mulheres vestindo véus; dos modernos tramways de superfície aos nostálgicos bondes vermelhos. Da Mesquita Azul à Basílica de Hagia Sofia. Do Grande Bazar de jóias, tapetes, panos e artesanato ao mercado egípcio de especiarias sem fim. Istambul de ruas estreitas e antigas, com suas casinhas otomanas de madeira, às avenidas amplas e modernas do bairro Taksim. Dos palácios do sultanato, de suas colinas arborizadas e de seus terraços com vista para o Mármara. Sağol Istambul, Görüşürüz (Obrigada e até breve).
sábado, 4 de julho de 2009
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