Ando muito sem tempo para escrever neste espaço ultimamente. Vejo que meus amigos aqui do lado - que são muito mais ocupados do que eu e fazem mil coisas ao mesmo tempo, blogam até duas ou três vezes por dia, ou várias vezes na semana. Que inveja dessas pessoas que organizam suas idéias e usam o tempo de forma perfeita, medindo-o milimetricamente para não deixar escapar os pensamentos e nem os leitores. Na verdade, trabalho muito, também, e de forma concentrada no período da tarde. Limito minhas horas na frente desta máquina, ela me cansa, me enerva, nos fins de semana eu nem ligo o computador que é para não ver minha caixa postal tão cheia de spams, trabalho, pautas, mensagens inúteis.
E foi por conta deste desleixo virtual do fim de semana que perdi o programa Direções, da TV Cultura, cujo episódio deste domingo era Encontro das Águas, do meu amigo Sérgio Roveri. Por razões que só acontecem no ciberespaço, o e-mail dele avisando do programa não chegou à minha caixa postal. Mas se eu tivesse entrado no blog do Roveri no sábado ou no domingo, teria conferido a informação, pois o Sérgio é um desses amigos que faz milhões de coisas, e ainda tem tempo de postar religiosamente no seu blog. Quando terei essa disciplina virginiana?
Já tinha visto o Encontro em São Paulo, na estréia, dirigida por Alberto Guzik, e no festival Em Cena, de Porto Alegre, em 2005, com José Roberto Jardim e o Pedro Henrique Moutinho, e adoraria ter visto essa outra montagem do Sérgio Ferrara - com o Marat Descartes e Luciano Schwab. Gosto muito desse texto e da paixão com que os personagens levam o drama sobre dois jovens que se encontram em uma ponte, um deles querendo saltar para o desconhecido e o outro tentando salvá-lo da idéia suicida.
O curioso é que perdi outro programa obrigatório ontem, segunda-feira, no Canal Brasil, por ter lido a Ilustrada só à noite, e bem tarde. É um hábito, quando não tenho tempo de ler todo o jornal, deixo pelo menos a Ilustrada para depois, pois sei que seu conteúdo pode ser degustado aos poucos e sem a aquela angústia do leitor ávido por notícias quentes. Ledo engano. Desta vez, por não ter dado uma rápida olhada na capa da Ilustrada, acabei perdendo o filme Carreiras, de Domingos de Oliveira, cuja estréia estava marcada para as 22h de segunda, na tevê! Fato inédito, a televisão ser a primeira a mostrar um filme que só vai chegar aos cinemas na sexta-feira próxima.
Ponto para a televisão. Zero para mim. Quando ela mostra alguma coisa interessante, eu perco!
terça-feira, 19 de junho de 2007
quinta-feira, 14 de junho de 2007
Instantâneos
Tem coisa melhor do que pão branco quentinho com manteiga? Supra-sumo do prazer instantâneo.
Pôr-do-sol no outono, aquela cor alaranjada e oblíqua, como o olhar de Capitu. Beleza instantânea.
Ou o sol quente da manhã, aquecendo a nossa pele, num dia frio de inverno? Conforto instantâneo.
Um café expresso bem tirado, numa xícara bacana, num lugar charmoso, depois do almoço? Delícia instantânea.
Ler o jornal de domingo e sem pressa para acabar. Informação instantânea.
Um beijo na boca, de surpresa, e de quem a gente ama. Amor instantâneo.
Pôr-do-sol no outono, aquela cor alaranjada e oblíqua, como o olhar de Capitu. Beleza instantânea.
Ou o sol quente da manhã, aquecendo a nossa pele, num dia frio de inverno? Conforto instantâneo.
Um café expresso bem tirado, numa xícara bacana, num lugar charmoso, depois do almoço? Delícia instantânea.
Ler o jornal de domingo e sem pressa para acabar. Informação instantânea.
Um beijo na boca, de surpresa, e de quem a gente ama. Amor instantâneo.
domingo, 10 de junho de 2007
Paraiso Tropical
Sempre gostei de dar espiada em novelas. De uns tempos para cá, a trama, para mim, ficou secundária. Gosto de acompanhar os textos; a direção; a lentidão ou rapidez com que eles tratam das situações, às vezes complicadas demais; os atores - uns são constrangedores, outros simplesmente geniais; os cenários riquíssimos (no caso da Globo, principalmente); as roupas. E fico pensando que deve ser muito difícil escrever novelas (das boas!), porque para atingir todo o tipo de público é preciso muita imaginação e sempre descobrir um gancho no final do capítulo para atrair o público no dia seguinte.
Sou bissexta, quando vejo uma novela das 8h (ou seria das 9h?) na Globo, num ano, não assisto a próxima que vai substituí-la. É uma tática para não criar um vínculo doentio e deixar de ver outras coisas interessantes nos canais pagos no mesmo horário (gosto muito de seriados Lost, The Office - criação do ótimo roteirista, ator e diretor inglês Ricky Gervais, mas isso é outra história). Pois não tenho vergonha de dizer que estou adorando Paraiso Tropical, do ótimo e sempre em forma Gilberto Braga e uma equipe de roteiristas de primeira. Muita gente já está falando do folhetim que emplacou agora no Ibope, quase três meses depois da estréia. Realmente, não tinha como não dar certo. Além da trama de Braga - um expert quando se trata de vilões e situações intrincadas -, do elenco, da edição (tudo é rápido, sem enrolação), os diálogos são muito bons, principalmente quando se trata de Bebel (Camila Pitanga) e Olavo (o fantástico Wagner Moura, um vilão carismático e com momentos engraçados); ou entre eles e Jader (Chico Diaz) ; Taís Grimaldi (Alessandra Negrini no papel da gêmea do mal) e Marion Novaes (a ótima Vera Holtz); ou Belisário (Hugo Carnava como um velho boa-vida e sem dinheiro) e sua mulher Gilda (Yoná Magalhães).
Braga e sua equipe de roteiristas acertaram em cheio. Quando o personagem de Tony Ramos (perfeito) cita o chef catalão Ferrán Adria num restaurante, ou quando Dinorá prepara um de seus barracos, daqueles que o povo gosta, eles sabem que estão agradando a gregos e troianos. Na dose certa. Transformar uma prostituta numa mulher elegante e educada (Pretty Woman?) é outra cartada inteligente para aproveitar o carisma de Bebel, até porque Camila Pitanga e Wagner Moura dão de dez a zero em Julia Roberts e Richard Gere.
Se falou muito por aí na falta de química do casal romântico Fábio Assunção e Alessandra Negrini (Paula, a gêmea boa). Besteira. A química de Paraíso Tropical está toda ali na tela, entre a novela e o espectador.
Sou bissexta, quando vejo uma novela das 8h (ou seria das 9h?) na Globo, num ano, não assisto a próxima que vai substituí-la. É uma tática para não criar um vínculo doentio e deixar de ver outras coisas interessantes nos canais pagos no mesmo horário (gosto muito de seriados Lost, The Office - criação do ótimo roteirista, ator e diretor inglês Ricky Gervais, mas isso é outra história). Pois não tenho vergonha de dizer que estou adorando Paraiso Tropical, do ótimo e sempre em forma Gilberto Braga e uma equipe de roteiristas de primeira. Muita gente já está falando do folhetim que emplacou agora no Ibope, quase três meses depois da estréia. Realmente, não tinha como não dar certo. Além da trama de Braga - um expert quando se trata de vilões e situações intrincadas -, do elenco, da edição (tudo é rápido, sem enrolação), os diálogos são muito bons, principalmente quando se trata de Bebel (Camila Pitanga) e Olavo (o fantástico Wagner Moura, um vilão carismático e com momentos engraçados); ou entre eles e Jader (Chico Diaz) ; Taís Grimaldi (Alessandra Negrini no papel da gêmea do mal) e Marion Novaes (a ótima Vera Holtz); ou Belisário (Hugo Carnava como um velho boa-vida e sem dinheiro) e sua mulher Gilda (Yoná Magalhães).
Braga e sua equipe de roteiristas acertaram em cheio. Quando o personagem de Tony Ramos (perfeito) cita o chef catalão Ferrán Adria num restaurante, ou quando Dinorá prepara um de seus barracos, daqueles que o povo gosta, eles sabem que estão agradando a gregos e troianos. Na dose certa. Transformar uma prostituta numa mulher elegante e educada (Pretty Woman?) é outra cartada inteligente para aproveitar o carisma de Bebel, até porque Camila Pitanga e Wagner Moura dão de dez a zero em Julia Roberts e Richard Gere.
Se falou muito por aí na falta de química do casal romântico Fábio Assunção e Alessandra Negrini (Paula, a gêmea boa). Besteira. A química de Paraíso Tropical está toda ali na tela, entre a novela e o espectador.
sexta-feira, 8 de junho de 2007
Como um pinto no lixo
Decidi passar o feriado vendo alguns filmes que perdi no cinema, até porque morar em Florianópolis não é fácil, muita coisa não chega às telas dos 21 cinemas que temos por aqui. A programação focaliza, quase sempre, filmes blockbusters hollywoodianos (nada contra as produções de Homem Aranha, Piratas do Caribe X, etc., mas isso cansa). O que me salva são as videotecas.
Peguei o documentário Estamira, de Marcos Prado. Com seu olhar atento de fotógrafo, ele focalizou uma mulher no seus 63 anos, mãe de três filhos, que internou a mãe num hospício (ela também sofria de esquizofrenia), foi estuprada e vendida pelo avô como prostituta e depois acolhida por um homem que a abandonou porque não entendia sua "loucura". Uma história resumida de Estamira, e não é pouca coisa.
Talvez por isso, ela tenha escolhido o lixão do Gramacho, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, para passar seu tempo e conseguir um pouco de paz e conforto. Ironicamente, é ali que se sente feliz e gosta de ficar, no meio dos urubus e moscas, disputando com eles os vidros de conservas vencidos e que darão um molho de macarrão. Às vezes, fica até melhor que em restaurantes....para quem sabe preparar, né?" Fala, confiante naquilo que sabe fazer bem, que é cozinhar.
O lixão é uma boa metáfora para os dias que vivemos hoje neste País. Mas é a lógica de Estamira, sua lucidez filosófica que espanta. Fala com raiva de um Deus que não existe mais para ela: "Deus estuprador, trocadilho!" Talvez por ele tê-la abandonado de vez. Com um discurso muitas vezes coerente, Estamira blasfema quando vê um dos filhos lendo a Bíblia ou briga com um neto ao indagar o que ela tem contra Deus.
As frases soltas fazem sentido: "Sou louca, doida, maluca, mas lúcida, consciente e ciente, com cometas na minha cabeça" ao se referir às vozes e ruídos que ouve dentro dela. Fala de reciclagem, de desperdício ("às vezes, é só resto, mas também vem descuido...Economizar é maravilhoso, pois quem economiza tem..."), de comunismo ("a igualdade é o comunismo") e de perturbação, ao se referir à própria doença ("perturbação é perturbação, não é deficiência. Qualquer um pode ficar perturbado"). Tudo tem uma certa lógica nas palavras de Estamira, quando ela fala que há lucidez e ilucidez, ou quando diz que os médicos que dão a ela caixas e caixas de Diazepan são "copiadores apenas, e não médicos", porque a estão dopando. "Se sou louca naturalmente, com o tal Diazepan eu fico mais louca ainda".
Marcos Prado teve sorte de encontrar esse rico personagem no meio do lixo e fazer de Estamira uma fonte de reveladoras verdades. Verdades que nós não estamos acostumados a encarar sem ficarmos perturbados. Talvez também precisemos de um pouco de Diazepan.
http://www.estamira.com.br/
Peguei o documentário Estamira, de Marcos Prado. Com seu olhar atento de fotógrafo, ele focalizou uma mulher no seus 63 anos, mãe de três filhos, que internou a mãe num hospício (ela também sofria de esquizofrenia), foi estuprada e vendida pelo avô como prostituta e depois acolhida por um homem que a abandonou porque não entendia sua "loucura". Uma história resumida de Estamira, e não é pouca coisa.
Talvez por isso, ela tenha escolhido o lixão do Gramacho, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, para passar seu tempo e conseguir um pouco de paz e conforto. Ironicamente, é ali que se sente feliz e gosta de ficar, no meio dos urubus e moscas, disputando com eles os vidros de conservas vencidos e que darão um molho de macarrão. Às vezes, fica até melhor que em restaurantes....para quem sabe preparar, né?" Fala, confiante naquilo que sabe fazer bem, que é cozinhar.
O lixão é uma boa metáfora para os dias que vivemos hoje neste País. Mas é a lógica de Estamira, sua lucidez filosófica que espanta. Fala com raiva de um Deus que não existe mais para ela: "Deus estuprador, trocadilho!" Talvez por ele tê-la abandonado de vez. Com um discurso muitas vezes coerente, Estamira blasfema quando vê um dos filhos lendo a Bíblia ou briga com um neto ao indagar o que ela tem contra Deus.
As frases soltas fazem sentido: "Sou louca, doida, maluca, mas lúcida, consciente e ciente, com cometas na minha cabeça" ao se referir às vozes e ruídos que ouve dentro dela. Fala de reciclagem, de desperdício ("às vezes, é só resto, mas também vem descuido...Economizar é maravilhoso, pois quem economiza tem..."), de comunismo ("a igualdade é o comunismo") e de perturbação, ao se referir à própria doença ("perturbação é perturbação, não é deficiência. Qualquer um pode ficar perturbado"). Tudo tem uma certa lógica nas palavras de Estamira, quando ela fala que há lucidez e ilucidez, ou quando diz que os médicos que dão a ela caixas e caixas de Diazepan são "copiadores apenas, e não médicos", porque a estão dopando. "Se sou louca naturalmente, com o tal Diazepan eu fico mais louca ainda".
Marcos Prado teve sorte de encontrar esse rico personagem no meio do lixo e fazer de Estamira uma fonte de reveladoras verdades. Verdades que nós não estamos acostumados a encarar sem ficarmos perturbados. Talvez também precisemos de um pouco de Diazepan.
http://www.estamira.com.br/
quarta-feira, 6 de junho de 2007
Beatles Forever
sexta-feira, 1 de junho de 2007
D. Eliza sobe a lomba
D. Eliza, minha mãe, continua fazendo das suas. Cansou de ligar para a Net a semana inteira atrás de um técnico para arrumar o controle remoto digital que deram a ela há alguns meses, e que a deixou sem imagens por cinco dias! Imaginem uma senhora de 80 anos sem ver suas novelas!? Me ligou hoje, de Porto Alegre, para dizer que foi até à Net.
"Como assim, mãe?", perguntei
"Fui lá na Net hoje. Falei com eles pessoalmente" (enfatizou esse pessoalmente). "Procurei o endereço no guia (lista telefônica), peguei um ônibus errado, subi uma lomba (rua com subida íngreme) , cheguei exausta com o controle remoto na mão. E exigi que eles arrumassem a minha televisão ou essa droga de controle que não consigo controlar"(se referindo ao controle da Net Digital, que nem nós que somos mais jovens conseguimos controlar, pois os botões são bem sensíveis ao toque).
"Mãe, você foi até o prédio da Net? Mas onde é isso, existe?" (perguntei incrédula e já rindo)
"Claro que existe. É longe, mas ele existe. Lá perto do Partenon" (bairro distante de onde ela mora). "Disse a eles que não quero mais falar com maquininhas e ficar digitando um monte de números. E quero ver minhas novelas, que eles me mandem um técnico hoje de tarde. Ah, e tem mais, eles queriam me cobrar R$ 50 pelo novo controle, mas eu disse que não pagava. Isso é um desaforo!"
As 18h10 de hoje o técnico da Net chegou lá na casa de minha mãe para trocar o controle remoto, mexer em uns cabos e resolver o problema. Finalmente, depois de cinco dias, D Eliza voltou a ver suas novelas.
Minha mãe não entende nada de triple play, de Net Digital, de menus interativos, de banda larga, de megabits por segundo, de planos master, advanced, ou seja lá o que for que a tevê por assinatura ofereça a ela. Ela só quer ver as novelas e o futebol na tevê. E para conseguir isso D. Eliza sai de casa, pega ônibus, sobe a lomba e vai até o prédio da Net. Tenho até inveja dessa vitalidade dessa senhora de 80 anos...
"Como assim, mãe?", perguntei
"Fui lá na Net hoje. Falei com eles pessoalmente" (enfatizou esse pessoalmente). "Procurei o endereço no guia (lista telefônica), peguei um ônibus errado, subi uma lomba (rua com subida íngreme) , cheguei exausta com o controle remoto na mão. E exigi que eles arrumassem a minha televisão ou essa droga de controle que não consigo controlar"(se referindo ao controle da Net Digital, que nem nós que somos mais jovens conseguimos controlar, pois os botões são bem sensíveis ao toque).
"Mãe, você foi até o prédio da Net? Mas onde é isso, existe?" (perguntei incrédula e já rindo)
"Claro que existe. É longe, mas ele existe. Lá perto do Partenon" (bairro distante de onde ela mora). "Disse a eles que não quero mais falar com maquininhas e ficar digitando um monte de números. E quero ver minhas novelas, que eles me mandem um técnico hoje de tarde. Ah, e tem mais, eles queriam me cobrar R$ 50 pelo novo controle, mas eu disse que não pagava. Isso é um desaforo!"
As 18h10 de hoje o técnico da Net chegou lá na casa de minha mãe para trocar o controle remoto, mexer em uns cabos e resolver o problema. Finalmente, depois de cinco dias, D Eliza voltou a ver suas novelas.
Minha mãe não entende nada de triple play, de Net Digital, de menus interativos, de banda larga, de megabits por segundo, de planos master, advanced, ou seja lá o que for que a tevê por assinatura ofereça a ela. Ela só quer ver as novelas e o futebol na tevê. E para conseguir isso D. Eliza sai de casa, pega ônibus, sobe a lomba e vai até o prédio da Net. Tenho até inveja dessa vitalidade dessa senhora de 80 anos...
quarta-feira, 30 de maio de 2007
Informação ou deformação?
Estou chocada até agora, embora tenha lido a manchete há algumas horas.
Como o jornal que assino, Folha de São Paulo, não havia chegado na minha casa até 11h da manhã desta terça-feira, desconfiei de algum problema com o transporte na BR 101 ou na saída do avião em Congonhas. Tudo bem, estou morando há 3 anos em Floripa e esses atrasos já viraram rotina. Eu já estou rouca de tanto reclamar para o serviço de atendimento da Folha, aquele 0800 irritante, e sempre ameaço mudar para o jornal concorrente, mas o problema seria transferido para o Estadão, porque a BR é a mesma e o avião que sai de Congonhas também deve ser o mesmo que traz a Folha. Enfim, desencanei e fui à banca comprar outro jornal. (Leio algumas coisas na internet, e como assinante tenho acesso gratuito ao conteúdo da Folha e a outros jornais, mas nada supera o prazer do papel, falar isso, eu sei, é um clichê, mas é fato).
Nas bancas, notei que não havia nenhum jornal de SP ou do Rio, só do RS e daqui. "Isso é grave!", pensei. "Deu problema nos aviões hoje, não chegou nada ainda, só mais tarde", me disse o vendedor e me sugeriu comprar um jornal local. Dei uma olhada geral para ver se havia algo interessante sobre a passeata dos estudantes e da paralisação dos ônibus na cidade e vi uma coisa que jamais, em momento algum nos meus 30 anos de jornalismo, pensaria que poderia ver algum dia. Um jornal tablóide (como todos aqui do sul) chamado Diarinho com a seguinte manchete:
"Usuário se emputecem com aumento de busos" ...
Quase dei um grito quando li aquilo, não acreditando no que estava vendo. Na capa, a foto dos estudantes sentados no meio de uma avenida no centro da cidade, causa do tumulto no trânsito de Floripa. Mas nada daquilo era mais importante do que aquele título.
Comprei o jornal (?) para ver como o jornalismo era maltratado e deturpado nas páginas internas, embora a capa do tablóide já havia me dado uma pequena amostra do que viria.
Lá dentro, fiquei mais revoltada com o nível dos textos, títulos chulos, gírias, palavrões e fiquei me perguntando: será que um jornal popular precisa ser assim? O jornalismo que aprendemos na escola e nas redações determina, entre outras coisas, que precisamos informar corretamente as pessoas e, se possível, formar uma opinião. Informar o leitor, honestamente, não é das coisas mais difíceis para quem tem prática na profissão. O leitor deve ser tratado com respeito, sempre, seja ele, índio, branco, pardo, negro, homem, mulher, gay, morador da zona sul do Rio, ou da zona leste de São Paulo, do Morro do Macaco ou de Paraisópolis, dos Jardins ou da Vila Sônia. A linguagem pode mudar um pouco, dependendo do público que vai atingir, mas o jornalismo precisa falar mais alto, não pode simplesmente "desinformar" ou "deformar" como pretende esse jornal ao empregar palavras inadequadas, de baixo calão e, pior, erradas (sei que é de propósito, mas, francamente). Vi um título com o termo "dimenor" para falar da fuga de uns meninos de um lugar que julgo ser a Febem local, em São José (cidade próxima daqui). Além de empobrecer o idioma, é uma brincadeira sem propósito e que ajuda a confundir ainda mais aqueles leitores que já têm tantas dúvidas com o português. Me pergunto se o editor desse jornal consegue dormir tranquilo à noite depois de fazer uma edição dessas por dia.
p.s. - Tradução daquele título para quem não entendeu: "População fica furiosa com aumento dos ônibus "
Como o jornal que assino, Folha de São Paulo, não havia chegado na minha casa até 11h da manhã desta terça-feira, desconfiei de algum problema com o transporte na BR 101 ou na saída do avião em Congonhas. Tudo bem, estou morando há 3 anos em Floripa e esses atrasos já viraram rotina. Eu já estou rouca de tanto reclamar para o serviço de atendimento da Folha, aquele 0800 irritante, e sempre ameaço mudar para o jornal concorrente, mas o problema seria transferido para o Estadão, porque a BR é a mesma e o avião que sai de Congonhas também deve ser o mesmo que traz a Folha. Enfim, desencanei e fui à banca comprar outro jornal. (Leio algumas coisas na internet, e como assinante tenho acesso gratuito ao conteúdo da Folha e a outros jornais, mas nada supera o prazer do papel, falar isso, eu sei, é um clichê, mas é fato).
Nas bancas, notei que não havia nenhum jornal de SP ou do Rio, só do RS e daqui. "Isso é grave!", pensei. "Deu problema nos aviões hoje, não chegou nada ainda, só mais tarde", me disse o vendedor e me sugeriu comprar um jornal local. Dei uma olhada geral para ver se havia algo interessante sobre a passeata dos estudantes e da paralisação dos ônibus na cidade e vi uma coisa que jamais, em momento algum nos meus 30 anos de jornalismo, pensaria que poderia ver algum dia. Um jornal tablóide (como todos aqui do sul) chamado Diarinho com a seguinte manchete:
"Usuário se emputecem com aumento de busos" ...
Quase dei um grito quando li aquilo, não acreditando no que estava vendo. Na capa, a foto dos estudantes sentados no meio de uma avenida no centro da cidade, causa do tumulto no trânsito de Floripa. Mas nada daquilo era mais importante do que aquele título.
Comprei o jornal (?) para ver como o jornalismo era maltratado e deturpado nas páginas internas, embora a capa do tablóide já havia me dado uma pequena amostra do que viria.
Lá dentro, fiquei mais revoltada com o nível dos textos, títulos chulos, gírias, palavrões e fiquei me perguntando: será que um jornal popular precisa ser assim? O jornalismo que aprendemos na escola e nas redações determina, entre outras coisas, que precisamos informar corretamente as pessoas e, se possível, formar uma opinião. Informar o leitor, honestamente, não é das coisas mais difíceis para quem tem prática na profissão. O leitor deve ser tratado com respeito, sempre, seja ele, índio, branco, pardo, negro, homem, mulher, gay, morador da zona sul do Rio, ou da zona leste de São Paulo, do Morro do Macaco ou de Paraisópolis, dos Jardins ou da Vila Sônia. A linguagem pode mudar um pouco, dependendo do público que vai atingir, mas o jornalismo precisa falar mais alto, não pode simplesmente "desinformar" ou "deformar" como pretende esse jornal ao empregar palavras inadequadas, de baixo calão e, pior, erradas (sei que é de propósito, mas, francamente). Vi um título com o termo "dimenor" para falar da fuga de uns meninos de um lugar que julgo ser a Febem local, em São José (cidade próxima daqui). Além de empobrecer o idioma, é uma brincadeira sem propósito e que ajuda a confundir ainda mais aqueles leitores que já têm tantas dúvidas com o português. Me pergunto se o editor desse jornal consegue dormir tranquilo à noite depois de fazer uma edição dessas por dia.
p.s. - Tradução daquele título para quem não entendeu: "População fica furiosa com aumento dos ônibus "
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