quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Poucas palavras
Em tempos de Twitter e Facebook, são poucas as palavras que sobram para um pobre blog.
Cenas de um casamento
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Pobre guarda-chuva
Não lembro mais qual foi a última vez que choveu em São Paulo. E estou falando sério. O tempo seco, a falta de chuva, a umidade relativa do ar abaixo dos 20% têm sido temas recorrentes dos noticiários de televisão e jornais por aqui. A TV fala que não chove há 45 dias, eu não acredito. Pra mim, faz um século. Só vemos gente de queixando de dores de cabeça, com garganta seca, coceira nos olhos, no corpo, cansaço, hospitalizações de crianças com problemas de asma, alergias, rinites, faringite, pneumonia, e sei lá mais o quê. As roupas úmidas no varal secam em menos de duas horas. A gente respira um ar podre, cheio de partículas venenosas, ozônio, monóxido e dióxido de carbono, gases que nos fazem mal e não nos deixam respirar. O horizonte desapareceu de São Paulo há tempos e o que se vê é uma nuvem preta e densa sobre nós. O Céu? Onde ele está? Difícil dizer se aquilo lá em cima já foi azul um dia.
Nunca pensei que depois de morar em um dos lugares mais úmidos do País - Florianópolis, onde a umidade relativa do ar é de 80% o ano todo - eu invejasse aquele clima e a chuva que cai por lá. E onde foi parar o inverno? Meses de julho e agosto com temperaturas acima de 27 graus, sol forte e tempo seco! E a gente olha, atentamente, pra tevê todos os dias, na esperança de que a moça do tempo nos dê um alento e anuncie uma chuva daquelas boas, de lavar as ruas e a alma. Se isso acontecer terei de comprar um guarda-chuva novo. O meu, coitado, de tão guardado e abandonado, morreu de solidão.
Nunca pensei que depois de morar em um dos lugares mais úmidos do País - Florianópolis, onde a umidade relativa do ar é de 80% o ano todo - eu invejasse aquele clima e a chuva que cai por lá. E onde foi parar o inverno? Meses de julho e agosto com temperaturas acima de 27 graus, sol forte e tempo seco! E a gente olha, atentamente, pra tevê todos os dias, na esperança de que a moça do tempo nos dê um alento e anuncie uma chuva daquelas boas, de lavar as ruas e a alma. Se isso acontecer terei de comprar um guarda-chuva novo. O meu, coitado, de tão guardado e abandonado, morreu de solidão.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Outubro de 67
Os festivais de música brasileira da década de 60 - organizados pela TV Record, Excelsior e, depois, Globo - eram uma válvula de escape para o povo naquele período da ditadura militar. Acho que, guardadas as proporções, esses festivais mobilizavam tanto as pessoas como, hoje, a Seleção Brasileira na Copa do Mundo, o reality Big Brother e um final de novela de Gilberto Braga.
Havia, nos festivais, uma atração à parte, além das músicas e artistas que pisavam no palco do teatro Excelsior. Era a vaia. Era quase uma instituição, as pessoas liberavam seus instintos mais baixos para vaiar uma música, um intérprete, um arranjo que foi alterado. Os cantores tinham verdadeiro pavor de participar do festival justamente por causa da virulência do público - mas não perdiam a oportunidade, porque era ali que as coisas aconteciam. Suas músicas poderiam sair consagradas daquele teatro - como aconteceu com Roda Viva; Alegria, Alegria; Domingo no Parque e Ponteio, clássicos da MPB hoje. Valia a pena arriscar e ouvir um úúúú.
Eu e minha família aguardávamos com ansiedade o dia da festival na tevê, fazíamos apostas com os amigos e vizinhos sobre quais canções tinham mais chance. Naquela época, o público não votava pelo telefone, então, a escolha era unicamente dos jurados (Sérgio Cabral,Salomão Schwartzman, Chico Anysio, gente de esquerda, de direita, a favor ou contra a guitarra, enfim, o júri era eclético), e o resultado a gente só saberia, é óbvio, na grande final, ao vivo. E que final, aquela de outubro de 1967!. A melhor de todas. Justamente a que ampliou a fama de Caetano, Chico, Gil, Edu Lobo, levou a irreverência dos Mutantes e suas guitarras ao sisudo teatro Paramount; colocou gola rolê e um casaco de tweed em Caetano; desmistificou o tal smooking preto dos demais cantores; tirou Gilberto Gil de uma crise de medo, estatelado no sofá, para levá-lo ao palco; fez Roberto Carlos, o rei da Jovem Guarda, cantar um sambinha; viu Elis Regina ser classificada como melhor intérprete, e ainda assistiu, boquiaberto, Sergio Ricardo atirar seu violão no público que o vaiava insistentemente, ou por ele ter mudado o arranjo ou porque "Beto, Bom de Bola" era ruim mesmo.
Todas essas imagens antológicas de 43 anos atrás, vistas e revistas ao longo dos anos em videotapes, não cansam nossas retinas e estão documentadas no filme "Uma noite ëm 67", de Renato Terra e Ricardo Calil, em cartaz desde o fim de semana passado. Mas, o que o documentário traz de saboroso são as entrevistas feitas nos bastidores com os jovens artistas nos seus verdes 20 anos, prestes a entrar no palco ou momentos depois de terem saído, no calor das vaias e aplausos. Entrevistas feitas por Cidinha Campos e Randal Juliano, dois conhecidos jornalistas dos anos 60/70 e cujas perguntas são tão curiosas quanto as respostas. Vale, também, o ponto de vista de cada um dos artistas, 40 anos depois. Não fossem as imagens de arquivo tão icônicas, seriam essas entrevistas o principal apelo do documentário. Deu vontade de viver tudo outra vez, mas sem a ditadura por trás.
Havia, nos festivais, uma atração à parte, além das músicas e artistas que pisavam no palco do teatro Excelsior. Era a vaia. Era quase uma instituição, as pessoas liberavam seus instintos mais baixos para vaiar uma música, um intérprete, um arranjo que foi alterado. Os cantores tinham verdadeiro pavor de participar do festival justamente por causa da virulência do público - mas não perdiam a oportunidade, porque era ali que as coisas aconteciam. Suas músicas poderiam sair consagradas daquele teatro - como aconteceu com Roda Viva; Alegria, Alegria; Domingo no Parque e Ponteio, clássicos da MPB hoje. Valia a pena arriscar e ouvir um úúúú.
Eu e minha família aguardávamos com ansiedade o dia da festival na tevê, fazíamos apostas com os amigos e vizinhos sobre quais canções tinham mais chance. Naquela época, o público não votava pelo telefone, então, a escolha era unicamente dos jurados (Sérgio Cabral,Salomão Schwartzman, Chico Anysio, gente de esquerda, de direita, a favor ou contra a guitarra, enfim, o júri era eclético), e o resultado a gente só saberia, é óbvio, na grande final, ao vivo. E que final, aquela de outubro de 1967!. A melhor de todas. Justamente a que ampliou a fama de Caetano, Chico, Gil, Edu Lobo, levou a irreverência dos Mutantes e suas guitarras ao sisudo teatro Paramount; colocou gola rolê e um casaco de tweed em Caetano; desmistificou o tal smooking preto dos demais cantores; tirou Gilberto Gil de uma crise de medo, estatelado no sofá, para levá-lo ao palco; fez Roberto Carlos, o rei da Jovem Guarda, cantar um sambinha; viu Elis Regina ser classificada como melhor intérprete, e ainda assistiu, boquiaberto, Sergio Ricardo atirar seu violão no público que o vaiava insistentemente, ou por ele ter mudado o arranjo ou porque "Beto, Bom de Bola" era ruim mesmo.
Todas essas imagens antológicas de 43 anos atrás, vistas e revistas ao longo dos anos em videotapes, não cansam nossas retinas e estão documentadas no filme "Uma noite ëm 67", de Renato Terra e Ricardo Calil, em cartaz desde o fim de semana passado. Mas, o que o documentário traz de saboroso são as entrevistas feitas nos bastidores com os jovens artistas nos seus verdes 20 anos, prestes a entrar no palco ou momentos depois de terem saído, no calor das vaias e aplausos. Entrevistas feitas por Cidinha Campos e Randal Juliano, dois conhecidos jornalistas dos anos 60/70 e cujas perguntas são tão curiosas quanto as respostas. Vale, também, o ponto de vista de cada um dos artistas, 40 anos depois. Não fossem as imagens de arquivo tão icônicas, seriam essas entrevistas o principal apelo do documentário. Deu vontade de viver tudo outra vez, mas sem a ditadura por trás.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
O adeus
Alguns dias se passaram desde que nosso amigo de tantos anos - mais de 20 -, Alberto Guzik, partiu. Demorei um pouco para escrever algo sobre ele porque também estou tentando entender essa perda. Até agora ainda não percebo esse fato como sendo real, embora tudo me indique a realidade, a sua cremação, a missa de sétimo dia, a dor e a saudade das pessoas. Não sei para onde ele foi. Mas, certamente, acho que é um lugar de luz, como eram os palcos em que ele atuava e onde ele se sentia em casa.
Homem dos livros (escreveu alguns), do teatro (atuou, escreveu e dirigiu várias peças), do jornalismo (era um dos grandes críticos de teatro deste País, à época do Jornal da Tarde, onde trabalhamos juntos por 15 anos), um professor incansável, e dono de uma cultura que assombrava. Sempre tinha uma referência sobre o autor de um livro que a gente estava lendo, o filme que íamos ver, ou a peça que acabávamos de assistir. O cara conhecia mitologia grega profundamente, lia Shakespeare no original e poderia traduzir Jean Racine, se fosse preciso. Guzik era um Google com relevância e critério.
Sua partida nos deixa mais solitários. Quando uma pessoa querida morre, se vai com ela um pedaço de nós. A morte carrega nossas lembranças, nossos bons e maus momentos compartilhados, nossas referências. Um pouco da gente também morre, e a gente se entristece, chora e não se conforma, por mais estóicos que sejamos.
Só torço para que meu amigo tenha escolhido um bom lugar pra ficar, tomara que seja cheio de holofotes.
Homem dos livros (escreveu alguns), do teatro (atuou, escreveu e dirigiu várias peças), do jornalismo (era um dos grandes críticos de teatro deste País, à época do Jornal da Tarde, onde trabalhamos juntos por 15 anos), um professor incansável, e dono de uma cultura que assombrava. Sempre tinha uma referência sobre o autor de um livro que a gente estava lendo, o filme que íamos ver, ou a peça que acabávamos de assistir. O cara conhecia mitologia grega profundamente, lia Shakespeare no original e poderia traduzir Jean Racine, se fosse preciso. Guzik era um Google com relevância e critério.
Sua partida nos deixa mais solitários. Quando uma pessoa querida morre, se vai com ela um pedaço de nós. A morte carrega nossas lembranças, nossos bons e maus momentos compartilhados, nossas referências. Um pouco da gente também morre, e a gente se entristece, chora e não se conforma, por mais estóicos que sejamos.
Só torço para que meu amigo tenha escolhido um bom lugar pra ficar, tomara que seja cheio de holofotes.
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