E se não é um ótimo Allen, é sempre gratificante assistir a um Allen médio do que a média por aí. Seu próximo filme, estreando em Cannes nesta semana, Vicky Cristina Barcelona, já recebeu mais bombardeios da crítica. Ainda bem que eu sou só cinéfila e não ganho para escrever falando mal do cinema.
sábado, 17 de maio de 2008
Cassandra´s dream
E se não é um ótimo Allen, é sempre gratificante assistir a um Allen médio do que a média por aí. Seu próximo filme, estreando em Cannes nesta semana, Vicky Cristina Barcelona, já recebeu mais bombardeios da crítica. Ainda bem que eu sou só cinéfila e não ganho para escrever falando mal do cinema.
Cinema x taxista
Ah, eu não perco tempo em ver esses filmes por aí. Odeio! Não tem Cristo que me faça gostar de entrar numa sala escura, com uma tela na frente, com um monte de gente ali dentro, respirando, num ar viciado. Pra mim, o bom é estar aqui fora, apreciando a natureza e respirando o ar puro. Ninguém me pega nisso. Só minha mulher. Ela é louca por cinema, e eu prá não deixá-la ir sozinha, sou obrigado, de vez em quando, a fazer o sacrifício. Mas faço uma exigência: tem de ser filme brasileiro, porque ainda por cima ficar lendo legenda, não dá, né? Mas os filmes brasileiros hoje são tudo de sacanagem ou de violência.
Eu muda. Não ia perder meu tempo tentando convencer o homem sobre as maravilhas e a magia do cinema, ele não queria ser convencido. E, além do mais, eu estou cansada de brigar com as pessoas sobre o que eu acho bom, útil ou necessário. Desligo, simplesmente. Mas, ele continua a falar mal dos filmes e deixa escapar que um dos únicos que gostou, ultimamente, foi um tal de "Seo Chico", um documentário feito em Santa Catarina, embora ele não identificasse o filme como um documentário pois desconhecia a palavra. O filme aborda a tradição de se produzir cachaça em Florianópolis e cujo engenho do seu Chico foi um dos últimos em atividade. O personagem em questão morreu assassinado em 1996 e, até hoje, a polícia local não desvendou o mistério sobre sua morte. Suspeitava-se do sobrinho de seu Chico, mas ninguém pode provar nada.
Bem, o taxista, então, encontrou alguma coisa positiva no cinema se gostou do documentário sobre o velho Chico... Ou seria porque conheceu o método de fabricação da cachaça? Não deu tempo de saber a resposta porque já estava na porta de meu prédio.
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Vendaval de (des) informações
Ligo o computador neste domingo – depois de muita chuva e um ciclone anunciado – e vejo que a internet não entra. Deve ter sido o vento da madrugada. Ligo para o provedor, mas ele garante que o problema é da operadora telefônica, a dona do sinal ADSL da minha conexão. Sinto que um novo vendaval se aproxima, o das informações desencontradas daqueles atendentes. Eles são como os ventos, vêm de todos os lados, primeiro um, depois outro, uma ventania de gente me (des)informando sobre um problema técnico simples de resolver, o de uma luz que insistia em piscar quando deveria fixar fixa no modem (o sinal da ADSL).
Mas a senhora tem um modem que não condiz com a sua velocidade de 2 Megas, me diz uma delas. Eu tento, mas não consigo fazer com que ela me entenda, que eu não iria pedir 2 Megas (como elas falam) se não soubesse que não teria condição técnica de receber. Ou melhor, será que não seria “interessante” que a própria companhia falasse isso ao oferecer o produto pelo telefone naquela tarde?, embora saiba a sua resposta já decorada sem sair do scritp. Mas eu não quero saber se os 2 Megas são ou não são compatíveis com meu modem, porque até ontem ele estava funcionando perfeitamente bem, com ou sem os malditos 2MB! Mas a senhora terá de comprar outro modem, eu tenho aqui uma lista... Pode parar, obrigada.
Ligo novamente para o suporte. Outra moça me atende. Falo a mesma coisa, mas já indo direto ao assunto: a luzinha da ADSL está piscando e não consigo conexão com a internet, porque o sinal de vocês não chega até aqui. Desta vez, a dúvida da atendente era outra, totalmente diferente. A senhora já tentou trocar o filtro da linha telefônica?. Troquei. Peguei o da sala para colocar no escritório. Então, se não é o filtro de linha, deve ser um probleminha no seu modem. Sei, e será que alguém pode me dizer o que é? Já ligou para o provedor? Bidu. Foi a primeira coisa que fiz senhorita (faço questão de chamá-las assim, mesmo que seja uma senhora de 60 anos do outro lado da linha, o que é meio difícil porque os atendentes começam com 18 anos, eles precisam ser jovens para agüentar o tranco e o humor de clientes como eu, sem paciência). O que aconteceu quando trocou o filtro de linha? Nada, tudo continua igual, senhorita. Neste momento, é bom que se diga, estou de cócoras e sentindo uma cãimbra horrível no abdômen só de me contorcer debaixo do móvel onde está o computador, para fixar fios, retirar filtros, colocar outro no lugar, desligar modem, ligar novamente, ver as luzes piscando...A luzinha do ADSL pisca rápido ou devagar, de quantos em quantos segundo, senhora? Indaga uma terceira atendente do outro lado. Deixe-me ver, acho que de 1 em 1 segundo, agora pisca rápido, agora devagar, agora rápido. Ufa! Pera aí, estou contando os segundos... A raiva era tanta que mal conseguia respirar, mas eu precisava resolver aquilo logo.
Não tem jeito, a senhora terá de trocar o modem, ele queimou, vaticina o quarto operador. Queimou?? Como queimou se ele está ligado e com todas as luzes funcionando? Já não posso crer que exista algum sinal de inteligência do outro lado da linha. Desligo novamente.
Seis telefonemas depois para o mesmo número, uma hora e meia falando com o insuportável suporte da telefônica e com seis soluções diferentes para o mesmo problema, eu resolvi acreditar em um deles e desisti de minha banda larga de 2 MB (ainda que sequer tenha usufruído dessa velocidade desde que eles me disseram ter habilitado o plano, há 15 dias), optei por voltar ao de 1 MB, pagar 20 reais a mais (o de 2 MB era o mais barato de todos!) e ter minha internet de volta antes da segunda-feira, confiando que o problema era mesmo o modem que não suportava tanta velocidade. Vamos fazer um protocolo (para que? Isso nunca adianta de nada?), e se dentro de 24 horas sua conexão não for restabelecida, um técnico irá a sua casa.
Estava pessimista, o vento começou a uivar lá fora de novo, a noite chegava de mansinho, foi um fim de semana com clima de mudanças bruscas, totalmente esquizofrênico, tal como a dona do modem. Mas, uma hora e meia depois, a luzinha verde da ADSL ficou fixa e parou de piscar, sinal de que tinha eu voltado para minha conexão mais lenta de 1 MB, mas com a garantia de que a internet estaria funcionando antes de segunda-feira.
sábado, 19 de abril de 2008
Fúria e barbárie
Assisti e li alguns relatos dessas pessoas na tevê e nos jornais, e nem preciso dizer que fiquei chocada. Por mais que a gente tente compreender o ser humano e seu comportamento, muitas vezes surpreendente e desumano, sempre ficamos devendo. Não sou psicóloga, antropóloga, socióloga nem nada, sou apenas uma observadora dos fatos. Mas, confesso que os humanos me dão um baile! Será que eles estão lá por causa da dor da perda de uma menina que nem conheceram? Ou seria pelo show promovido pela mídia? Ou têm pena da mãe de Isabella? Ou querem ver a cara dos suspeitos, gritar por justiça e, de alguma forma, participar do julgamento (ao seu modo)? É por morbidez ? Será que essas pessoas não têm nada para fazer? O que sei é que esse comportamento selvagem me arrasou, tanto quanto o assassinato.
terça-feira, 8 de abril de 2008
Leilão de rico
Sempre tive a idéia de que os ricos - especialmente os noveaux riches - eram extravagantes em suas compras. Para esses não basta ter um ou dois relógios Rolex, alguns bons pares de sapatos. Afinal essas pessoas freqüentam muitas festas e é compreensível que tenham muitos sapatos, roupas de todas as cores, tecidos, estações e marcas, além de acessórios para cada ocasião. Mas fiquei pasma com o exagero. Parece que para Abadía e sua mulher não havia limites. Se era para ter um relógio, por que não ter logo uns 10? Todos caríssimos. A nossa Imelda Marcos latina, Yessica, tinha em seu closet nada menos do que 260 pares de sapatos, 70 bolsas, dezenas de cintos e 50 óculos escuros. Não precisa dizer que tudo é de griffe, nada abaixo de Dior, Cartier, Chanel. As camisetas de Abadía somavam a 170 e as femininas formavam uma montanha de 260 itens. Sem contar os móveis, eletrodomésticos, objetos de decoração, acessórios. Havia excesso até mesmo no número de plásticas no rosto do traficante (eu li que foram mais de 70!).
Tudo era superlativo dentro daquela casa milionária, um vasto mundo de consumo, agora escancarado pelas câmeras dos fotógrafos e dos cinegrafistas e colocado à disposição do grande público como um prato cheio servido ainda quente. Parte do povo que se aglomerava na frente do Jockey tinha a expectativa de abocanhar um pedacinho desse mundo quase irreal. Só que muitos não chegaram nem à porta principal e já foram barrados na entrada. O estoque acabou, é dura a realidade. Parece que nem o excesso de mercadorias, marcas e luxo foi suficiente para suprir os desejos daquelas pessoas de levar para casa um fiapo de glamour do megatraficante e a preço de banana.
Um detalhe me chamou a atenção: Abadía tinha 11 liqüidificadores na cozinha. Por que raios uma família pequena, embora rica, necessita de 11 liqüidificadores? Comentando isso com uma amiga ela lembrou bem: "Certamente ele tinha muita coisa para espremer ali". Ainda bem que há uma explicação lógica.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Crianças (ainda)
São maltratadas e torturadas por adultos insanos e doentes; arrastados por bandidos até a morte; exploradas pelos pais ou padastros nos faróis das avenidas de nossas cidades; esfomeadas e sem teto, são levadas a dormir debaixo de viadutos no meio do lixo; são obrigadas a vender balinhas durante o dia para ter um pedaço de pão quando a noite chega; estão trabalhando quando deveriam estar estudando; estão morrendo por causa de um maldito mosquito que ninguém consegue combater (lá no Rio de Janeiro) por absoluto descaso do poder público - municipal, estadual e federal.
E agora estão assassinando nossas crianças e atirando pela janela???
terça-feira, 1 de abril de 2008
Imaginação infantil
Gabriel ficou pensando um pouco com aquela carinha marota e disparou: "Eu queria a imortalidade", mas falando num tom de quem cobiça um carrinho novo da Hot Wheels. Minha reação, naturalmente, foi de espanto, mas logo quis desenvolver o assunto para ver até onde iria. "Por que você quer ser imortal, já pensou que isso te daria uma grande solidão, já que todos na terra são mortais?"
"Ah, mas no prêmio eu ia pedir a imortalidade para minha mãe, meu pai e para você, e assim não ficaria sozinho", resumiu. Simples assim.
Eu não gostaria de ser eterna, de saber que estaria sempre por aqui, mas esse menino certamente ainda tem muito pra me dizer. E sua alma, esta sim é imortal.